Blog do Lobo da Selva


REEDIÇÃO DO TRIDIARTE

Quando vejo hoje a tentativa de se reerguerem pontos importantes da cultura unionense: música, pintura e poesia, fico pensando nos acordos políticos feitos por esses brasis a fora.

Nunca se ouviu falar em acordo político que envolve a cultura como contrapartida. Os acordos envolvem sempre o fisiologismo e outras práticas nada decorosas.

Ora, educação e cultura são fundamentais para o desenvolvimento e a conservação de valores éticos, morais e sociais de uma sociedade.

Nós, unionenses, nos acostumamos a achar que educação e cultura são de estrita responsabilidade do poder público. Aí é onde reside o engano. É necessária a participação de toda a sociedade.

No caso da cultura, o poder público deve entrar com a infraestrutura. O resto deve ficar por conta do povo e dos artistas, em particular.

E, mais especificamente em União, a cultura necessita de uma lei de incentivo nos moldes da Lei A. Tito Filho, de Teresina, com incentivos fiscais àqueles que desejem investir na cultura.

União é uma cidade mais comercial que cultural, onde o comerciante sonega imposto para ganhar mais. Temos grandes comerciantes que se escondem quando alguém os procura para um incentivo a algum evento cultural. Na verdade, se esconde mesmo é na desinformação e na malandragem.

Eis uma das causas do nosso atraso cultural.



Escrito por lourival S lopes às 12h10
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AQUI TAMBÉM SE VIVE

Meu caro amigo Eduardo Coelho:

Esse é o título do romance de Haydée Costa Medeiros, publicado em 1986, numa edição do Projeto Petrônio Portela do Governo do Piauí. Infelizmente outros governadores não deram continuidade ao projeto que visava à publicação de autores piauienses.

O romance de 490 páginas é o retrato dessas cidades interioranas do Piauí, na ségunda metade do século XX. É um misto de amor, querelas políticas, fé e desejos que as personagens vão vivendo até o fim da narrativa. O prefácio do livro traz a assinatura de José Camilo da Silveira Filho, escritor e historiador dos mais importantes do Piauí.

É dele o comentário sobre o romance:

"O mundo de Haydée não é mundo de maravilhas; é o mundo da vida e não lhe falta, como dizem os cristãos, o componente fundamental que é a alegria, suprema virtude da vida, virtude original por excelência, intimamente ligada ao amor, fonte de todas as virtudes.

E o amor é presença constante do mundo de Haydée, nas margens do velho monge, nos vaqueiros, nos lavradores, nos pequenos comerciantes, no povão, na autora, e em todos os que fazem a vida tocar pra frente, como Noezinho, Bastião, Dona Ermelinda, Remédios, Coruja, Dorinha, Raimundo, Manoel Belo, Gonçalo, que desfilam nas páginas deste livro".

Haydée Costa Medeiros era filha do Cel. Gervásio Costa, fundador da Gecosa S.A. Era casada com o comerciante Antônio Medeiros Filho. Além dos pendores literários, Haydée era pintora de muito boa qualidade artística. Dentre os seus trabalhos de pintura, o mais conhecido é o retrato do deputado Marcos Parente que dá nome a um colégio de ensino médio da cidade, onde fica exposto.



Escrito por lourival S lopes às 11h46
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NOME DE RUAS DE UNIÃO

A letra do hino de União tem um verso que diz: "em cada rua uma história...". Ruas de União. Se ainda hoje existem travessas em nossa cidade, é de se imaginar que, pela idade que tem, o nome de algumas ruas foi sendo colocado muito lenta e discretamente por alguns prefeitos ao longo de quase dois séculos. Para muitos, os nomes das ruas não têm a menor importancia. Para outros, geram curiosidade. Há até os que questinam alguns nomes.

Voltando ao verso do hino de União, acho que ele pode ser entendido de duas formas: a história que cada rua guarda e a história da pessoa que dá nome à rua.

Por exemplo: rua Areolino de Abreu. É uma das ruas mais antigas da cidade. É só dá uma olhada nos prédios antigos que ainda resistem, apesar da falta de uma lei de proteção ao patrimônio histórico da cidade.

Quem foi Areolino de Abreu? Que ligações teria com a cidade de União para merecer tamanha homenagem?

Areolino de Abreu era médico, mas dedicou-se também ao jornalismo e ao magistério. Foi um importante político piauiense na segunda metade do século XIX e na primeira década do século XX. Foi deputado provincial e presidente do Tribunal de Contas do Estado. Chegou a assumir o cargo de Governador do Piauí. Fundou o hospital dos alienados, hoje Hospital Areolino de Abreu.

Qual a sua ligação com União? Era o pai da esposa do Cel. Filinto Rego, interventor da cidade de 1937 a 1945. Chamava-se Jacira Abreu, mãe de Carlos do Rego Monteiro, vereador e prefeito dessa cidade por vários pleitos.

Areolino de Abreu nasceu em Teresina (08.08.1866) e morreu em União (31.05.1908).

Para confirmar a ligação de Areolino de Abreu com a cidade de União, pelo decreto de nº 385, de 11 de outubro de 1908, o vice-governador, no exercício do cargo de governador, Antonino Freire abre crédito para a execução da lei nº 506, de 17 de julho, para a construção de dois mausoléus. Um em Teresina, em homenagem ao ex-governador Álvaro Mendes; e o outro em União, em homenagem a Areolino de Abreu.

Só que o mausoléu é um pequeno túmulo que ainda hoje é possível se observar no cemitério da cidade.

Só para registro, o intendente municipal, na época, era o Cel. Benedito Rego Filho.

 



Escrito por lourival S lopes às 20h57
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