VISÃO PROGRESSISTA

Durante a primeira metade do século XX, o município de União foi administrado, praticamente, por duas pessoas: coronel Benedito Rego e coronel Benedito Rego Filho, de
Apesar de a população ser uma das maiores do Piauí, União era uma cidade sem nenhuma infra-estrutura. Ainda era iluminada por lampiões de gás. Os postes com os lampiões se estendiam ao longo da principal via da cidade. Iam da casa do Sr. Segisnando Alencar ao comércio de exportação do Sr. Francisco Narciso da Rocha, onde hoje é o prédio da Cepisa. As ruas não possuíam calçamento. Quando chovia, transformavam-se em córregos, ficando, após, só o lamaçal.
A partir da década de 30, exatamente no período da revolução, liderada por Getúlio Vargas, União, embora tardiamente, começa a ganhar ares de modernidade. No período, com a instalação do Estado Novo, em 1937, foi nomeado Interventor no município o coronel Filinto Rego. Experiente e com uma visão urbanista e progressista, antes participara, como deputado constituinte, em eleições realizadas em 1934, da elaboração da constituição piauiense de 1935.
A visão de homem público fez da sua administração (1937 – 1945) um marco para o progresso da cidade de União. As suas realizações destacam-se pela modernidade, pela infra-estrutura e pela visão de futuro. Dentre estas realizações, destacamos: a pavimentação, em paralelepípedos, de um trecho que vai da Praça Getúlio Vargas à Farmácia Central; a construção da Praça Getúlio Vargas, com desenho paisagístico moderno; o matadouro público; uma usina elétrica; a reforma modernizada do mercado público; uma ponte de madeira sobre o riacho da raiz, possibilitando o tráfego à zona rural, durante o inverno; o Grupo Escolar Fenelon Castelo Branco, entre outras.
Nascido em 31 de janeiro de 1886, em União, o coronel Filinto Rego era filho de João do Rego Monteiro Filho, da linhagem do Barão de Gurguéia. Era casado com D. Jacira Abreu do Rego Monteiro, que era filha do médico, ex-deputado e ex-governador do Piauí, Areolino de Abreu.
Faleceu no dia 18 de março de 1946, após a queda do Estado Novo.
ANTIGA CASA PAROQUIAL

Quem não se lembra da antiga Casa Paroquial de N. S. dos Remédios? Era uma das casas mais antigas de União. Infelizmente, a Paróquia entendeu que preservar a memória e a história seria menos interessante do que investir em pontos comerciais. Foi pensando assim que o velho casarão veio abaixo. Certamente a história desse casarão coincide com a criação da Paróquia de N. S. dos Remédios, em 27 de agosto de 1853. Paróquia exigia pároco que exigia residência. A partir de então, aquilo que era apenas uma capela, passou a ser Igreja-Matriz.
Essa história de N. S. dos Remédios, em União, é muito antiga. Data do final do século XVIII, quando o proprietário da fazenda, que deu origem ao núcleo populacional que passou a se chamar Estanhado, construiu uma pequena capela em homenagem a N. S. dos Remédios para, segundo Pereira da Costa, “o exercício espiritual de sua família”.
No início do século XIX, o Estanhado já era um núcleo populacional bastante considerável, razão pela qual temos certeza de que a fazenda de gado foi instalada no século XVIII. Odilon Nunes fala de um padre, Jerônimo José Ferreira, morador do Estanhado, que participara de panfletagem a favor de um regime republicano, em 1822. Em 1823, o major Fidié, após a Batalha do Jenipapo,
Odilon Nunes, nas suas Pesquisas para a História do Piauí, dedica um capítulo ao Estanhado e a sua participação na Balaiada que foi uma das guerras mais violentas acontecidas nesse território que, naquela época, pertencia ao município de Campo Maior. Isto no ano de 1839. Nesse trabalho, ele apresenta um documento escrito por Antonio de Sousa Mendes, que era um dos líderes das forças legais. Neste documento, ele descreve o momento em que o comandante-em-chefe das forças legais, Capitão Manuel Clementino de Sousa Martins, foi alvejado pelos rebeldes, na localidade Baixão, próxima a Santa Rita. Em seu relato, Antonio de Sousa Mendes diz que o comandante recebeu um tiro acima do umbigo e que morreria ali, momentos depois, e que seu corpo fora transladado para a Capela do Estanhado. Naquela época era costume que as pessoas de notória importância pública ou religiosa fossem enterradas no interior das igrejas. Assim, o comandante-em-chefe das forças legais que combatiam os Balaios no Estanhado, Manuel Clementino de Sousa Martins, fora enterrado na Capela de Nossa Senhora dos Remédios. A prova maior disso, além do documento apresentado pelo insigne mestre da história piauiense, é a colocação de uma placa, na parte externa, ao lado direito da porta principal, da Igreja-Matriz, pelo Instituto Histórico de Oeiras.
Voltando à antiga casa paroquial, demolida na década de 90, século XX, não há registro de quem a construiu nem de quando foi construída. O que se sabe, pelo relato das pessoas mais velhas, é que era uma das casas mais antigas da cidade. Nas décadas de 60 e de 70, lembro-me de duas pessoas que moravam no velho casarão: o sacristão e sineiro Mundico Lopes e uma senhora, cujo nome não me recordo. Recordações mesmo tenho dos sinos tocando, anunciando as missas ou o falecimento de alguma pessoa da cidade.
A foto foi resgatada pelo trabalho ímpar do arquiteto Olavo Pereira da Silva, no livro “Carnaúba, Pedra e Barro na Capitania de São José do Piauhy”.
EM NOME DA MODERNIDADE

Renovar destruindo o velho significa modernidade? A pergunta pode parecer capciosa, mas a verdade é que a cidade de União caminha a passos largos para a destruição total de seu patrimônio histórico. Para que servem estas casas velhas? – perguntam os defensores da modernidade. No entanto, todas têm a sua própria história. Destruí-las significa soterrar a história de muitos anos nos escombros. Na cidade restam poucos casarões. Esse casario da foto, já com alterações na arquitetura original, foi construído no início do século XX. Uma dessas casas, a última, de cor amarela, foi residência de Francisco Narciso da Rocha, o primeiro prefeito eleito após o Estado Novo, de
POR QUE NÃO UM MAUSOLÉU?

Este é o túmulo de João do Rego Monteiro, Barão de Gurguéia, a mais expressiva força política de União, no século XIX.
Nascido em 1809, em 1º de maio, na localidade Baixa do riacho dos Cavalos, próximo ao povoado Estanhado para onde se mudou com a mãe após a morte de seu pai. É importante lembrar que, nesta época, Estanhado, um povoado com um núcleo populacional em crescimento, pertencia à freguesia de Santo Antonio do Surubim.
João do Rego Monteiro era um homem de muitas posses. Segundo José Alexandre Saraiva, no livro uma vida, um exemplo (viagem ao mundo maravilhoso de Luís Carlos Boavista do Rego Monteiro), p. 135, o Barão de Gurguéia possuía, antes de morrer, três datas de terra no município de União; oito fazendas de gado; numerosas casas em Teresina; cento e noventa e oito escravos; carruagens e centenas de jóias preciosas.
Em 1853, quando é criada a Vila de União, desmembrando-se de Campo Maior, João do Rego Monteiro faz a doação de uma data de suas terras para que o novo município seja instalado.
Foi deputado provincial por quatro legislaturas, de
Faleceu em União, em 08 de dezembro de 1897. Da sua linhagem nascem as correntes políticas que predominarão na cidade por todo o século XX.
ANTIGAMENTE...

Na formação dos povoados, vilas e cidades piauienses, a religiosidade do povo sempre foi um fator importante. Os núcleos populacionais foram se organizando em torno de uma capela sob os auspícios de algum santo ou santa. No caso da cidade de União, quando ainda era fazenda de gado, creio que no final do século XVIII, o seu proprietário construiu uma capela em homenagem a N. S. dos Remédios. Este fato foi decisivo para que a fazenda se transformasse em povoação, sob a denominação de Estanhado, que teria papel importante, na primeira metade do século XIX, nas lutas pela Independência (1823) e na Balaiada (1839).
Era comum, nas residências, encontrarem-se oratórios com vários santos, em torno dos quais as famílias rezavam. Fazia parte da fé e crença das pessoas e servia como proteção contra as coisas malignas.
ESTANHADO SITIADO PELOS REBELDES

Oratório típico das residências antigas, simbolo da religiosidade popular
1839. O Estanhado está sitiado, cercado pelos rebeldes revolucionários. Ninguém entra, ninguém sai. O medo de novas baixas é iminente. O comandante-em-chefe da Coluna do Norte, Capitão Antonio de Sousa Mendes, que substituira Manuel Clementino de Sousa Martins morto pelos rebeldes, na localidade Baixão, próximo à Santa Rita, está apreensivo. Afinal de contas faltam mantimentos no Estanhado, provocando fome às pessoas que se encontram sitiadas.
A tática dos rebeldes revolucionários era infalível. Quando menos as tropas legalistas esperavam, eram atacadas violentamente pelos valentes camponeses que, após lutarem contra seus adversários, sumiam na densa mata.
Aqui não é romance. É história de verdade. O fato aludido acima é a Guerra dos Balaios.
O Estanhado foi palco de sangrentas batalhas na balaiada. A que ocorreu na localidade Santa Rita foi a mais violenta e a mais famosa. Inúmeras baixas de ambos os lados.
É interessante notar que, nessa época, o Estanhado já era um povoado bastante desenvolvido.
Do lado dos rebeldes, conforme transcrição de Antonio Mendes anotada por Odilon Nunes, “toda a plebe e um grande número de proprietários, sem nenhum princípio de conhecimento..."
NEM O CEMITÉRIO ESCAPA...

Cemitério São Francisco, conhecido por Cemitério Velho, em União
Este aqui é o Cemitério Velho, da época do Estanhado, onde as famílias tradicionais da cidade enterravam os seus mortos, desde o final do século XIII passando pelo século XIX e até mesmo no século XX. Muito da história familiar, social e política do velho Estanhado e da Vila de União encontra-se soterrado sob os cascalhos desse lugar. Em alguns túmulos havia lápides com dados sobre pessoas, famílias e sociedade, importantes para quem quisesse se aventurar, como eu, na pesquisa sobre as origens da cidade de União.
No entanto, para minha frustração, hoje esse cemitério está praticamente destruído pela ação de vândalos inconseqüentes. E, assim, a cidade de tantas histórias valorosas passa de seu estado de amnésia para o estado de letargia completo. Fica cada vez mais difícil para o pesquisador chegar a alguma conclusão sobre as origens da cidade.
Como se vê na foto, sobraram uns poucos túmulos que muito pouco acrescentam à memória da cidade.
O que eu mais lamento é a pouca importância que se dá nessa cidade ao resgate de sua história e de sua memória.
No livro Carnaúba, Pedra e Barro na Capitania de São José do Piauhy, vol. I, p. 223, Olavo Pereira da Silva assim se manifesta a respeito das sepulturas nos sertões do Piauí: “Como na antiguidade, teriam sido os primeiros abrigos a formatar a cidade dos mortos, precursora da cidade dos vivos”.
A nossa identidade cultural é produto do que fomos e do que somos e fazemos. Nada mais a declarar.
MARCAS DO CORONELISMO

Busto do Coronel Benedito José do Rego
Durante toda a primeira república, o município de União, como todos os outros municípios do país, foi dominado pela política dos coronéis. Na verdade uma família inteira, por mais de trinta anos consecutivos, esteve à frente dos destinos da cidade, de forma inquestionável, na primeira metade do século XX. É o prenúncio do coronelismo que influenciará a política local em todo o século, invariavelmente.
Desde o século XIX, a começar pela doação de terras para a instalação da Vila de União pelo Barão de Gurguéia, uma mesma família, influente nas lides políticas do Piauí, pela autoridade, pelo respeito, pelo poder econômico e pela força política, esteve à frente dos destinos do município. E mesmo, quando houve oposição - e, às vezes, até intrigas mortais -, aconteceu dentro da mesma família.
De
Segundo Jarbas Maranhão, “os políticos,
Os descendentes desses coronéis, devido à boa condição financeira, eram mandados para a capital para estudar e, quando retornavam, era para assumir postos importantes na administração pública. Só para se ter uma idéia do poder dessas famílias, Benedito José do Rego teve vários filhos, dentre os quais se destacam: Antônio Deoclécio Rego,advogado com excelente dotes de oratória, era sogro de Segisnando Alencar, que, na década de trinta, fora prefeito de União. De Segisnando Alencar nasce Valter do Rego Alencar, advogado e pioneiro da televisão no Piauí, implantando a TV Clube, avô do atual deputado Henrique Rebelo. Arthur Napoleão do Rego, pai do poeta e acadêmico Martins Napoleão. Martins Napoleão chegou a assumir, por algum tempo, o governo do Piauí como Interventor Federal. Benedito José do Rego Filho, influente figura política na primeira metade do século XX, era sogro de Eudóxio Machado de Melo que, de uma outra perspectiva política, fez oposição ferrenha, na época da ditadura, ao grupo político da ARENA, representado pelos “Rego Monteiro” e pelos Medeiros. Osvaldo do Rego Melo, filho de Eudóxio Melo e neto de Benedito Rego Filho, concorreria à eleição em 1972, pelo MDB, recolocando a linhagem dos “Rego” no comando do município.
FAZENDA ESTANHADO? TRIBOS INDÍGENAS?

ITÃS, localidade São Felipe de seu Marcelino
Que a cidade de União, antigo Estanhado, foi uma fazenda de gado não resta a menor dúvida. Situada às margens do rio Parnaíba, há fortes indícios de, naquele tempo, século XVIII, ter se instalado por estas bandas um curral de gado vacum. Há indícios, também, de algumas tribos indígenas, muito antes, terem habitado estas terras. Vejamos os indícios: próximo à localidade Jenipapeiro, situada a mais ou menos 20Km da cidade, existe um morro chamado de “morro do Tapuio”. Corre entre os moradores mais velhos da localidade a história de que ali fora uma tribo de índios. Em outra localidade, conhecida como São Felipe de seu Marcelino, próximo ao município de Lagoa Alegre, existe uma piscina natural permanente, cujo nome é Itãs. De onde veio esse nome? Todos que moram próximos a esse local afirmam que esse nome vem de longe. Não se sabe quando. Considerando a origem da palavra e um dos seus significados, não temos dúvida de que ali, também, fora local conhecido ou habitado por índios. Itã é de origem Tupi e pode significar “ornato de pedra, dos que se encontram nas urnas funerárias dos antigos povos aborígines”. Assim, é quase certo que Tupis e Tapuios foram os primeiros povos a habitarem as terras do Estanhado. É praticamente impossível que os nomes em questão tenham sido colocados por pessoas que quisessem fazer alguma homenagem. Os nomes representam indícios da presença de povos primitivos em nossa região. Foi com certeza muito antes do surgimento dos primeiros currais. As duas regiões são muito ricas em riachos e olhos-d’água e eram regiões de muita caça. Isso pode ser considerado outro indício importante. Somado a isso, existe a palavra abalizada de quem pesquisou a fundo a história do Piauí, Odilon Nunes que diz no seu livro Pesquisas para a História do Piauí, vol. 1, p. 24, "No passado mais remoto, (...), palmilhavam os vales de seus rios tribos dos principais grupos indígenas que povoaram o Brasil: tupis, caraíbas, tapuias e, entre estes os cariris". E mais adiante, na p. 29, afirma que "os mais antigos documentos que se referem ao Piauí nos fazem conhecer os Tremembés, os Aroás, Cupinharões, Tabajaras e Amoipiras, como povoadores da bacia do Parnaíba". Esses grupos pertenciam às nações tapuia e tupinambá. Para confirmar que há indícios de que índios habitavam estas terras, o mestre arremata, na p. 30, do mesmo livro, "foram cinco os ramos conhecidos de gentios selvagens que pisaram terras piauienses, antes que os colonizadores portugueses ou mamelucos".
ELO PERDIDO

Fachada de casarão, do início do século XX
Nesses dias estou lendo história do Piauí. Vasculhando alguns livros sobre o assunto, tentando encontrar o elo perdido do(a) velho(a) Estanhado. Me chamou a atenção uma monografia de conclusão de curso de história da Uespi cuja pesquisa foi feita pela Jeane Pereira Miranda, em
De que era fazenda de gado não resta a menor dúvida. A questão é saber quando ela foi datada. Como se chamava? Estanhado? Por que fazenda do Estanhado? Parece pouco provável que o nome da fazenda se chamasse Estanhado. O que significa Estanhado?
Outra coisa: Santo Antonio do Surubim, mais tarde Campo Maior, e o Estanhado eram centros populacionais importantes no século XVIII e XIX, respectivamente. Eram uma mesma freguesia. Mas não está claro o início da povoação do Estanhado, se no final do século XVIII ou início do século XIX.
Quero entender tudo isso, mesmo com pouca referência bibliográfica. Cinco autores me parecem indispensáveis para tentar elucidar o caso: Pereira da Costa, Odilon Nunes, Monsenhor Chaves, Pe. Cláudio Melo e Abdias Neves. Todos eles pesquisadores meticulosos da história do Piauí.
É isso que tentarei fazer daqui para frente: estudar mais a história do município de União.
SEM TÉDIO
Hoje estive no Canto da Cana Brava apreciando os seus encantos, sua magia e sua beleza. O Edson, a Leonice, o Egnaldo, a Helenice e mais alguns de meus sobrinhos também estiveram lá. Na ressaca da segunda-feira do carnaval, nada como um bom banho nas águas frias das piscinas e canyons do Canto da Cana Brava.





MAPA DO BRASIL

A natureza constrói coisas inexplicáveis, pelo menos para um mero contemplador de belezas naturais como eu. Hoje registrei, através desta foto, uma pedra em formato de um mapa do Brasil, perfeitamente desenhado. Parece que o cartógrafo supremo quis, em matas unionenses, registrar a sua predileção pelo Brasil. Esta pequena obra da geografia da natureza está localizada no Canto da Cana Brava.
ENTARDECER SOBRE O RIO PARNAÍBA
Como é belo o entardecer sobre o rio Parnaíba! Estas imagens foram tiradas hoje, 2 de fevereiro, em pleno carnaval. É uma maravilha o desenho que a natureza faz para que nós a contemplemos. São as pinturas que o Grande Arquiteto do Universo prepara para aqueles que têm sensibilidade.






MORRO DAS CAIEIRAS

Este é o MORRO DAS CAIEIRAS ou DAS TRINCHEIRAS, na localidade São Romão, interior do município de União. Ele está a mais ou menos
Por aqui se fala que os rebeldes – provavelmente os Balaios – se entrincheiravam para combater as forças legais. Isto na primeira metade do século XIX.
Esta região do município apresenta cenários paradisíacos. É só conferir.
FASE DA CONTEMPLAÇÃO

De início, utilizo as palavras de Hannah Arendt, do livro entre o passado e o futuro: “E essa liberdade cristã em vista da salvação fora precedida (...) pela abstenção da política, por parte do filósofo como requisito prévio para o modo de vida mais livre e superior: a vita contemplativa.”, para ilustrar o meu pensamento sobre a fase da contemplação.
Não é nada filosófico. É produto da vivência e da experiência. É um olhar diferente sobre uma mesma realidade. Um pôr-de-sol, por exemplo, pode ser uma realidade corriqueira, que acontece todos os dias. Mas visto a partir de um olhar diferente pode tornar-se uma realidade única.
Muitos afirmam que o rio Parnaíba está morrendo. Isto é uma realidade vista sob diversos olhares. Mas contemplar o rio significa ver a possibilidade da ressurreição sem, no entanto, perceber o estágio moribundo em que ele se encontra.
Há beleza em tudo que contemplamos.
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